quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Algumas coisas estão latejando em mim...

Na sexta, depois de um programa delicioso fui para o hospital São Paulo, já era 1:20h mais ou menos. Minha tia querida, praticamente minha avó querida que está internada com muitos problemas, já por tantas vezes ia passar a noite sozinha. Apesar de termos ainda uma família, eu desacredito cada vez mais que haja solução pra esse mundo de filhos da puta. Me perdoem as ladies que estão lendo isso agora. O amor ao próximo mais próximo que você pode ter que é um irmão, um filho, uma mãe, uma avó não existe.

Bom... Ainda nem tínhamos conseguido um quarto e ela estava lá no corredor, na maca, esperando que eu viesse do teatro pra passar a noite com ela.
Ela sabia que eu ia chegar bem tarde!
Fui bem arrumada, como de costume com meu melhor avental, lindíssimo estilo oriental, levei meu iPod, que não tinha bateria e um livro pra ler, mas não tinha sequer cadeira para a acompanhante... então passamos a noite, as duas acordadas esperando os primeiros sinais de sol...
Quem não se dispõe a fazer isso, não sabe a satisfação de estar ali do lado de uma pessoa que não tem com quem contar e que te ama muito e que te agradece com os olhos cheios de água, como se aquela fosse a última noite da sua vida.

Isso lateja, arde, queima!


Infelizmente, por ser o meio de um feriado, quase não tinha médicos e os que lá estavam não me conheciam. Mantive minha elegância com os pés latejando também no meu salto alto e juntas ficamos observando uma noite de sexta no PS do HSP.

Saldo do corredor:


  1. 1 morte com família chorando; pai, mãe, irmãos cunhados
  2. 6 jovens acidentados (1 deles o aniversariante)
  3. Mais uns 4 acidentados ou bêbados
  4. Barulho infernal da máquina de encerar o chão que entrou em ação durante a madrugada, mantendo todos os pacientes bem acordados.
  5. 1 moça gemendo de dor de dentro da sala de emergências e que não podia receber medicamento pq o médico que a atendeu 2 dias antes não prescreveu na folha de entrada e ele... sei lá onde estava
  6. Não ouvi música nenhuma
  7. Li apenas 20 páginas do livro
  8. Economizei um dormonide

As 6 da manhã desci e tomei um café com leite enquanto a tia cochilava


quando voltei ela de olhos arregalados: Pensei que você tinha ido embora!


Sentei e quase cai da cadeira, me bateu aquele sono!


Umas 10:00h minha mãe chegou e eu fui pra casa dormindo no mêtro e no ônibus


Na prática somos minha mãe, minha tia e eu cuidando da tia Cida

Minha mãe já esta quase jogando a toalha (está cansada, triste...) e eu tenho feito pouco, muito menos do que poderia

mas só tenho me sentido muito melhor que antes, me sinto cansada, mas privilegiadíssima por estar ali. Agora, na hora certa.


TE AMO TIA CIDA

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