Le Baiser 1888 - 1889
marbre181,5 x 112,3 x 117 cm
S.1002 Photo : E. & P. Hesmerg
http://www.musee-rodin.fr/accueil.htm
Pra tanta beleza, completo minha postagem com o monólogo de meu Querido Mário de Sá Carneiro
«Beijar!» linda palavra!... Um verbo regular
Que é muito irregular
Nos tempos e nos modos...
Conheço tanto beijo e tão dif'rentes todos!...
Um beijo pode ser amor ou amizade
Ou mera cortesia,
E muita vez até, dizê-lo é crueldade
É só hipocrisia
(...)
– Mas o beijo d’amor?
Sossegue o espectador,
Não fica no tinteiro;
Guardei-o para o fim por ser o «verdadeiro».
Com ele agora arremeto
E como é o principal,
Vai apanhar um soneto
Magistral:
Um beijo d’amor é delicioso instante
Que vale muito mais do que um milhão de vidas,
É bálsamo que sara as mais cruéis feridas,
É turbilhão de fogo, é espasmo delirante!
Não é um beijo puro. É beijo estonteante,
Pecado que abre o céu às almas doloridas.
Ah! Como é bom pecar co’as bocas confundidas
Num desejo brutal da carne palpitante!
Os lábios sensuais duma mulher amada
Dão vida e dão calor. É vida desgraçada
A do feliz que nunca um beijo neles deu;
É vida venturosa a vida de tortura
Daquele que co’a boca unida à boca impura
Da sua amante qu’rida, amou, penou, morreu.
(Pausa – Mudando de tom)
Desejava terminar
A beijar a minha amada,
Mas como não tenho amada,
(A uma espectadora)
Vossência é que vai pagar...
Não se zangue. A sua face
Consinta que eu vá beijar...
......................... (atira-lhe um beijo)
Um beijo pede-se e dá-se,
Não vale a pena corar...
[Mário de Sá Carneiro]
in Monólogo
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