sábado, 25 de abril de 2009

A Minhas Obrigações

A minhas obrigações

Cumprindo com meu ofício
pedra com pedra, pluma a pluma,
passa o inverno e deixa
lugares abandonados,
habitações mortas:
eu trabalho e trabalho,
devo substituir
tantos olvidos,
encher de pão as trevas,
fundar outra vez a esperança.

Para mim somente a poeira,
a chuva cruel da estação,
nada me reservo a não ser todo o espaço
e ali trabalhar, trabalhar,
manifestar a primavera.
A todos tenho que dar algo
cada semana e cada dia,
um presente de cor azul,
uma pétala fria do bosque,
e já de manhã estou vivo
enquanto outros afundam
no ócio, no amor,
eu estou limpando minha campana,
meu coração, minhas ferramentas.

Tenho orvalho para todos


Livro : Pablo NERUDA – Prólogos

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