Não me lembro bem como cheguei
até esse filme no cinema ano passado, mas foi num tempo muito, muito difícil. O
mais provável é que eu tenha ido até o Espaço Unibanco e escolhido na hora, sem
ler a sinopse. Só lembro que assisti com
um nó enorme na garganta, segurando os soluços e que, em paralelo, momentos
especiais passavam pela minha mente e aproveitavam a trilha sonora, sempre
maravilhosa, do filme da Sofia pra me apunhalar. Cada fragmento do filme se misturava com a
minha historia e meu coração começou doer tão fundo!
Entre a cena e a recordação eu
fazia uma reza inconsciente e desesperada. Que porra era aquela que nós
estávamos passando¿ Eu só queria uma chance pra nossa família. Afinal, gostem
ou não... e nós também não temos explicação pra isso “sempre fomos uma família”,
ainda que algo ou alguém fosse grande o bastante pra mudar, essa estrutura, NÃO
MUDOU!
(Apesar da força, da esperança e
da fé, acima de tudo, foram muitos momentos de revolta e imensa tristeza. Até
hoje não sei o que foi aquilo, só sei que aprendi muito sobre a vida, a morte,
o amor, Deus e a família).
Hoje à tarde, por acaso eu
assisti novamente SOMEWHERE. Olhei a capa do DVD e pensei: Nossa, eu não vi
esse filme Dela¿ E quando começou veio o nó na garganta de novo e me lembrei
das mesmas cenas e de varias outras que foram possíveis nos últimos meses. Entre
as lembranças fiz preces de gratidão por termos recebido a chance de continuar sendo
essa família inexplicável e especialmente por eu continuar assistindo o amor entre
eles, que nunca tem fim. Gratidão por minha riqueza, minha Vida, minha Flor ter
sido poupada de tanta tristeza e continuar sendo a melhor criança do universo, a
futura grande mulher que me motiva a ser melhor todos os dias, minha parceira
incondicional.
Sempre que vai chegando a hora de
voltar a gente fica triste, sem conseguir entender direito os motivos que
traçaram o caminho longo e distante que nos leva pra casa (embora, a cada
processo de doação de órgão que consegue seguir em frente, eu veja uma pegada
minha e outra da Ana se formando, nesse caminho de saudade, luta e conquista
que a gente trilha junto).
No último ano, voltar pra casa
era de rasgar o coração. Só Deus pra ajudar a gente a ser feliz. (Pudera... Ele
generosamente nos mandava um milagre por dia, que era transmitido por telefone
mesmo, rs...) E foram várias idas e voltas. Haja coração!
Dessa vez não será diferente e
vai doer, muito. Mas será um ano de retomada, de colocar em pratica o que aprendemos.
De lutar por algo mais todos os dias, certos de que logo teremos mais momentos
juntos. Mais e melhores. E que, seja como for, TUDO VAI DAR CERTO. (Né¿)
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