sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

UM LUGAR QUALQUER




Não me lembro bem como cheguei até esse filme no cinema ano passado, mas foi num tempo muito, muito difícil. O mais provável é que eu tenha ido até o Espaço Unibanco e escolhido na hora, sem ler a sinopse.  Só lembro que assisti com um nó enorme na garganta, segurando os soluços e que, em paralelo, momentos especiais passavam pela minha mente e aproveitavam a trilha sonora, sempre maravilhosa, do filme da Sofia pra me apunhalar.  Cada fragmento do filme se misturava com a minha historia e meu coração começou doer tão fundo!
Entre a cena e a recordação eu fazia uma reza inconsciente e desesperada. Que porra era aquela que nós estávamos passando¿ Eu só queria uma chance pra nossa família. Afinal, gostem ou não... e nós também não temos explicação pra isso “sempre fomos uma família”, ainda que algo ou alguém fosse grande o bastante pra mudar, essa estrutura, NÃO MUDOU!
(Apesar da força, da esperança e da fé, acima de tudo, foram muitos momentos de revolta e imensa tristeza. Até hoje não sei o que foi aquilo, só sei que aprendi muito sobre a vida, a morte, o amor, Deus e a família).
Hoje à tarde, por acaso eu assisti novamente SOMEWHERE. Olhei a capa do DVD e pensei: Nossa, eu não vi esse filme Dela¿ E quando começou veio o nó na garganta de novo e me lembrei das mesmas cenas e de varias outras que foram possíveis nos últimos meses. Entre as lembranças fiz preces de gratidão por termos recebido a chance de continuar sendo essa família inexplicável e especialmente por eu continuar assistindo o amor entre eles, que nunca tem fim. Gratidão por minha riqueza, minha Vida, minha Flor ter sido poupada de tanta tristeza e continuar sendo a melhor criança do universo, a futura grande mulher que me motiva a ser melhor todos os dias, minha parceira incondicional.
Sempre que vai chegando a hora de voltar a gente fica triste, sem conseguir entender direito os motivos que traçaram o caminho longo e distante que nos leva pra casa (embora, a cada processo de doação de órgão que consegue seguir em frente, eu veja uma pegada minha e outra da Ana se formando, nesse caminho de saudade, luta e conquista que a gente trilha junto).
No último ano, voltar pra casa era de rasgar o coração. Só Deus pra ajudar a gente a ser feliz. (Pudera... Ele generosamente nos mandava um milagre por dia, que era transmitido por telefone mesmo, rs...) E foram várias idas e voltas. Haja coração!
Dessa vez não será diferente e vai doer, muito. Mas será um ano de retomada, de colocar em pratica o que aprendemos. De lutar por algo mais todos os dias, certos de que logo teremos mais momentos juntos. Mais e melhores. E que, seja como for, TUDO VAI DAR CERTO. (Né¿)

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