" Nós "
Afinal o que sinto
é o sofrimento atroz
de muito tarde descobrir que
nunca falaremos
em nós...
Eu, serei eu, tu, serás tu,
e eternamente assim
nem nunca me terás como queres
que eu seja
nem serás como eu quero que
sejas pra mim...
Muito tarde... muito tarde...
- depois que assim te quero, e
preciso de ti
como os pulmões precisam de ar
ou os olhos de luz,
é que vou descobrir que se
ficarmos juntos,
eu poderia te odiar, tu
poderias me odiar!
- Quem diria ao final, ao que
o amor se reduz ?!
Estraguei a tua vida e
desgraçaste a minha
e fomos acordar, os dois,
tarde demais...
Agora, eu sigo só,
tu, seguirás sozinha,
eu, fugindo; covarde!... a
este amor que me espinha!
tu, querendo, - medrosa!...
inutilmente a paz!
E o que é estranho afinal, é
que nos amamos,
e sentimos no entanto que nos
separamos,
cada um com a sua sombra
dolorosa
a sós...
- conformados, na dor cruel,
nos convencemos,
de que nunca na vida, eu e
tu... seremos
nós...
(Poema de JG de Araujo Jorge
extraído do livro Eterno Motivo; - Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras
- 1943 .)
Agradecimentos especiais: Mari e Gisellinha pelo convite para uma taça de vinho antes de dormir em 7 de setembro, e ao artista Téo que declamou com tanta intimidade, o que pra mim parecia novidade, mas, na verdade, é fato!
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