quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Minha esperança é imortal, ouviram?


Acho que não preciso escrever mais nada.

Quem me conhece sabe o que penso a respeito.

Só de sacanagem
Elisa Lucinda

Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta a prova?

Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro.

Do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.

Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta a prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração tá no escuro.

A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e todos os justos que os precederam. 'Não roubarás!',
'Devolva o lápis do coleguinha',

'Esse apontador não é seu, minha filha'.

Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar!

Até habeas corpus preventiva, coisa da qual nunca tinha visto falar, sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará!

Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear!

Mais honesta ainda eu vou ficar! Só de sacanagem!
Dirão: 'Deixe de ser boba!

Desde Cabral que aqui todo mundo rouba!

E eu vou dizer: 'Não importa!

Será esse o meu carnaval!

Vou confiar mais e outra vez.

Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos.'
Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.

Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambal.
Dirão: 'É inútil!

Todo mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal!'
E eu direi: 'Não admito!

Minha esperança é imortal, ouviram?

Imortal!

Sei que não dá pra mudar o começo, mas,

se a gente quizer,
vai dar pra mudar o final!

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