sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Veinte Poemas de Amor

Pablo Neruda
Poema 1

Cuerpo de mujer,

blancas colinas,

muslos blancos,

te pareces al mundo en tu actitud de entrega.

Mi cuerpo de labriego salvaje te socava

y hace saltar el hijo del fondo de la tierra.

Fui solo como un túnel.

e mí huían los pájaros

y en mí la noche entraba su invasión poderosa.

Para sobrevivirme te forjé como un arma,

como una flecha en mi arco,

como una piedra en mi honda.

Pero cae la hora de la venganza,

y te amo.

Cuerpo de piel,

de musgo,

de leche ávida y firme.

Ah los vasos del pecho!

Ah los ojos de ausencia!

Ah las rosas del pubis!

Ah tu voz lenta y triste!

Cuerpo de mujer mía,

persistiré en tu gracia.

Mi sed,

mi ansia sin límite,

mi camino indeciso!

Oscuros cauces donde la sed eterna sigue,

y la fatiga sigue,

y el dolor infinito.




Corpo de mulher,

brancas colinas,

coxas brancas,

assemelhas-te ao mundo no teu jeito de entrega.

O meu corpo de lavrador selvagem escava em ti

e faz saltar o filho do mais fundo da terra.

Fui só como um túnel.

De mim fugiam os pássaros,

e em mim a noite forçava a sua invasão poderosa.

Para sobreviver forjei-te como uma arma,

como uma flecha no meu arco,

como uma pedra na minha funda.

Mas desce a hora da vingança,

e eu amo-te.

Corpo de pele,

de musgo,

de leite ávido e firme.

Ah, os copos do peito!

Ah os olhos de ausência!

Ah as rosas do púbis!

Ah a tua voz lenta e triste!

Corpo de mulher minha, persistirei na tua graça.

Minha sede,

minha ânsia sem limite,

meu caminho indeciso!

Escuros regos onde a sede eterna continua,

e a fadiga continua,

e a dor infinita.

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